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Brasil, terra de imigração

Jean-Jacques Gaudiot – Consultor em comércio exterior EZreport!

Diário de Pernambuco – 5 de fevereiro de 2012

A Europa está começando 2012 enfrentando muitas dificuldades econômicas e políticas. Essa crise é, sobretudo, uma crise de confiança e deve durar. Lá, já podemos enxergar uma década perdida, necessária para eles conseguirem avaliar os desafios e programar soluções inovadoras e duradouras.

Nós aqui, no Brasil, e principalmente em Pernambuco, estamos passando por um momento privilegiado, devido justamente às medidas realizadas a partir dos meados dos anos 1990, e a uma curva demográfica favorável, pois muitos jovens estão entrando no mercado de consumo sem que tenha uma saída equivalente de seniores para pesar nos custos do sistema de previdência. Esse desenvolvimento não acontece sem seus desafios.

Indústrias são montadas, porém com falhas graves nos serviços oferecidos ou nos produtos fabricados. Esses problemas originam-se de um mix da escassez da mão de obra e da sua qualificação. Reformulando em outras palavras: como achar os recursos humanos e como qualificá-los para acompanhar nosso desenvolvimento? Como transformar rapidamente o cortador de cana em operário qualificado para as indústrias de Suape?

Este é um velho debate no Brasil, o da educação. Várias soluções foram tentadas sem que nenhuma, ou nenhum conjunto delas, dê certo, sobretudo com a rapidez que, hoje, faz-se necessária. Talvez precise olhar para nosso potente vizinho do norte para elaborar propostas novas. As universidades dos Estados Unidos captam os melhores estudantes do mundo, situação que apresenta várias vantagens. Primeiro, a mais imediata, é que a seleção de talentos, e sua educação básica, ambas operações custosas, já foram operadas por outros países. Segundo, alguns desses estudantes brilhantes ficam depois nos EUA para criar empresas ou assumir cargos em empresas existentes, participando assim na criação de valor agregado do país e criando empregos. Finalmente, mesmo voltando para o país de origem, tendo criado uma rede de conhecimento nos EUA, bem como um laço emocional, eles criam negócios de preferência com o país onde eles estudaram.

Porque não adaptar esse sistema aqui no Pernambuco para atrair os melhores jovens profissionais da Europa? E isso é novidade. O Brasil de 2012 apresenta um grande poder de sedução: se o país era visto vinte anos atrás como parado, hoje ele é internacionalmente considerado como uma grande oportunidade para o desenvolvimento mundial. Ouvia outro dia uma jovem grega, que acabou de se formar em engenharia. Ela me dizia que, mais do que a crise imediata no seu país, ficava desesperada pelo fato que tinha certeza que não ia achar trabalho por vários anos. Entre uma Europa parada, deprimida, e um Brasil que, hoje, usufrui de uma imagem excelente no mundo, de dinamismo e otimismo, a escolha devia ser fácil. A nossa cultura latina já é vizinha da cultura dos europeus, porém precisamos ainda mais facilitar esses movimentos.

Alguns certamente vão defender que imigração podia criar desemprego. Isso não acontece quando os imigrantes são profissionais qualificados, que acabam criando muito mais empregos ainda. Dito de outro jeito: sim, mais pessoas vão sentar ao redor da mesa, porém o bolo vai crescer proporcionalmente de modo maior e a fatia de cada um também. E afinal de contas, não devemos esquecer um ponto essencial: quase todos nós somos descendentes de imigrantes.

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