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2013: 2012 de novo?

Publicado no Diario de Pernambuco, dia 21 de janeiro de 2013

Por Jean-Jacques Gaudiot, consultor em estratégia internacional

No inicio de 2012, o governo planejava um crescimento de uns 3%. Sabemos como acabou: o crescimento do PIB foi de um mero 1%. De novo, em 2013, a previsão fica ao redor de 3 a 4%. Será que a historia vai se repetir?

Olhando para o ano que acabou de fechar, alguns fatos podem nos deixar pessimistas.

Assim, nas últimas horas do ano, o governo teve que buscar recurso no Fundo Soberano, entre outras manobras, para atingir os objetivos de superávit fiscal. Em termos leigos, significa que foi necessário buscar dinheiro na “poupança” para não fechar as contas no vermelho.

Por outro lado, Petrobrás, uma das maiores multinacionais brasileiras, destacada pelo próprio governo como o exemplo a ser seguido, viu sua produção de petróleo se reduzir em 2012 e planeja estabilizá-la em 2013. Vem de uma companhia que ha pouco tempo fazia muito marketing encima de descobertas gigantescas de campos de petróleo que iam colocar o Brasil como um dos maiores produtores do mundo.

Na verdade, todos esses sinais de mostram que o modelo econômico que deu certo estes últimos dez anos deverá ser revisado. A injeção de dinheiro via os investimentos em infraestrutura, mesmo que sejam ainda limitados, e via as estatais, criou uma classe média bem maior; desenvolveu uma nova classe de trabalhadores. Tais medidas estimularam a economia em curto prazo e os efeitos delas já estão se apagando.

Um desenvolvimento em longo prazo precisa de outro modelo, e transformações profundas da estrutura e dos valores da nossa sociedade.

Primeiro não há desenvolvimento duradouro sem um combate à corrupção. O processo do Mensalão é um início extremamente positivo, pois além de provar a independência do Judiciário em relação ao Executivo e ao Legislativo, mostra que mesmo os poderosos brasileiros não podem mais se comportar como os coronéis do passado.

Segundo, se os investimentos em grandes projetos, pela injeção de liquidez na economia, já são uma fonte de aumento do PIB, os retornos, como todo retorno em cima de um investimento, deverão ser maiores ainda. Deverá haver uma fiscalização maior do governo em relação aos atrasos que se observam em todas essas grandes obras. E proceder como acontece no setor privado: quando os responsáveis forem incompetentes, substituí-los.

Terceiro, as dificuldades encontradas pela Petrobrás mostram hoje os limites do modelo de desenvolvimento atual. O Governo queria que as Estatais fossem os campeões da indústria brasileira. A criação de tais estatais foi uma ferramenta excelente para dar início a vários ramos nacionais de indústrias, porém precisa ser repassadas à iniciativa privada para se desenvolver mais rapidamente e mais agressivamente no próprio bem da sociedade como um todo.

Quarto, o governo deve engatilhar a reforma tributária e fiscal que acarreta custos e prazos adicionais nas empresas além de dedicar energia para burocracia enquanto devia ser usada para ganhar mercados novos. Nenhuma sociedade econômica de porte consegue aguentar tantas complexidades sem que as consequências pesem sobre o seu desenvolvimento.

Finalmente, o governo precisa incentivar a inovação do País. Todas as classificações do Brasil feitas por entidades independentes dos rankings são baixas. É só olhar ao nosso redor: dos objetos que não existiam dez anos atrás (telefone celular, telas planas, etc.), pouquíssimos foram inventados no País. Os recursos de base para inovação já está aqui presentes: são milhares de jovens brasileiros formados cada ano por faculdades mundialmente reconhecidas como sendo as melhores da América Latina: UFPE, USP, etc.

O governo não é o inicio, o meio e o fim. Não pode resolver todos os problemas de uma nação e precisa concentrar-se naquilo que é melhor, e que os demais não tem como fazer: infraestrutura para a sociedade civil, e educação. Já é muito.

Então, será que 2013 vai ser o mesmo que 2012? A resposta depende do novo modelo econômico que o governo precisa escolher para deslanchar um novo ciclo de desenvolvimento. Vai depender de nós também, porque, parafraseando John F. Kennedy, não devemos somente esperar que o governo faça tudo para nós, e devemos pensar o que podemos fazer para nossas comunidades.

Jean-Jacques Gaudiot é consultor internacional e sócio da EZreport

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