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Royalties: acordo para jogar a conta no governo federal

Comentário de Jean-Jacques Gaudiot no blog de Jamildo. Confira o post completo post completo

30 de Agosto de 2011

O debate sobre a repartição dos royalties de pré-sal lembra um velho provérbio europeu: não se pode vender a pele do urso antes de matá-lo. Explorar petróleo, em grandes quantidades, a 4500 m de profundidade (450 vezes a pressão atmosférica!), apresenta desafios tecnológicos que a população brasileira não percebe e que são infelizmente pouco discutidos.

O campo de Tupi, por exemplo, se encontra a 300 quilômetros do litoral, a uma profundidade de 7.000 metros e sob 2.000 metros de sal. É de lá e dos blocos contíguos que o governo espera que vá jorrar 10 bilhões de barris de petróleo. Com a palavra, a Petrobrás, mas sabe-se que o Brasil ainda não dispõe de recursos necessários nem tecnologia para retirar o óleo de camadas tão profundas e terá que alugar ou comprar de outros países.

Portanto, como será feita a manutenção daqueles poços de perfuração, ou pior, o conserto quando quebrar e vazar, enquanto os poderes públicos mal conseguem atender a manutenção das estradas esburacadas, essas abaixo de uma pressão atmosférica. Eis a questão! Hoje, a única certeza que se pode ter é que quem venderá projetos de engenharia ou equipamentos para esse empreendimento ganhará muito dinheiro.

Como muita dessa tecnologia fica fora do país, é o dever do Estado e das suas entidades, ministérios, órgãos fiscalizadores, desenvolverem uma indústria nacional inovadora nesse setor. Não estamos vivenciando tal movimento nesta direção. O aceno do governo federal para tal iniciativa é de grande relevância para o sucesso do projeto de exploração da camada do pré-sal.

Lembremos como ocorreu, nos EUA, quando houve a corrida para a lua , corrida que impulsionou o nascimento da indústria eletrônica. Ou seja, uma corrida submarina para o petróleo poderá fomentar novas indústrias brasileiras inovadoras com reconhecimento mundial. Isso seria nosso verdadeiro petróleo.

Escrito por Jean-Jacques Gaudiot é consultor em estratégias internacionais e sócio fundador da EZ Report

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