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Crise no Primeiro Mundo, o que vem depois?

13/10/2011

Artigo publicado no Jornal do Commercio, escrito por Jean-Jacques Gaudiot, consultor em estratégia internacional e sócio-diretor da EZreport

A crise que estão vivendo EUA e Europa é uma das mais graves desde 1929, pois é sistêmica. Já houve outras crises em tempos mais recentes, algumas até de consequências pesadas, porém se assemelhavam mais a correções de rumo para um barco grande que, fundamentalmente, parecia estar na direção certa. Colocavam-se algumas ações em aplicação, aumentava ou diminuía as taxas de interesse ou a massa monetária para resolver, ou simplesmente deixar para trás, as dificuldades encontradas e voltar no rumo “normal” da vida.

Hoje, estamos vivendo o fim de uma longa época de deslizes. A Grécia sendo somente a parte visível do iceberg. Podemos pegar como exemplo a França, que, como a Alemanha, apresenta uma das maiores economias da Europa. Trinta anos atrás, aquele país tinha uma divida igual a 20% do seu PIB. Atualmente, está com uma dívida de 80% do PIB. O governo francês, cada ano, gasta duas vezes mais do que aquilo que arrecada de vários modos!

Portanto, a tendência é de continuar aumentando a dita dívida. Dos 300 bilhões que gasta, 50 bi, limite simbólico que acabou de atingir, vem do pagamento dos interesses. E se todos estão preocupados na capacidade dos pagamentos daqueles interesses, ninguém se arrisca a discutir como vai reembolsar a dívida.

Claramente, o bom senso mostra que esses países não vão poder continuar assim mais trinta outros anos. Restabelecer o balanço das contas dos governos se torna imprescindível. Como? Do mesmo modo que você faria em casa com seu orçamento familiar. O primeiro meio, mais virtuoso, é aumentar a renda, que, em nível de um país, significa aumentar o PIB. Os países do primeiro mundo mostraram infelizmente que o crescimento deles fica atônico. O segundo meio é cortar os gastos. As populações, mesmo sabendo que é uma atitude racional e lógica, não aceitam. Portanto, existe a terceira via mais triste, mais perigosa, porém muitas vezes utilizada no passado, desde os Vikings: por atos de guerra, pegar as riquezas de outros povos.

Ninguém hoje pode prever o que vai exatamente acontecer. Porém uma coisa é certa: estamos vendo as dores de um parto, e um mundo novo vai nascer.

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